quarta-feira, 28 de novembro de 2012

É PROIBIDO SENTIR SAUDADES.


Acho mesmo é que eu não nasci pro secretariado. Pelo menos, não pro secretariado daqui. Cidade pequena, estabelecimento pequeno, gente de mente pequena. Entram e saem não mais que quatro ou cinco pessoas por dia. Umas duas madames montadas nas roupas de liquidação, usando um sapato que, certamente, levaram 12x pra pagar. Um ou outro universitário, que se perdeu no corredor e que, na verdade, estava mesmo era atrás da loja de roupas que está vendendo ingresso pro Catra.

Aqui a hora não passa. E me dá uma bruta saudade de casa. É o que acontece quando falta trabalho e sobra tempo. Nesses lapsos de saudade – porque sentir saudade é quase um deslize -, eu queria era a Praia de Copacabana. Não a praia em si. Nem os caras de bermuda, menos ainda as garotas de biquíni. O sol nem me faz tão bem assim. Eu queria mesmo era a terra de Jorge Amado e de Drummond; terra minha, também. Sentir aquela brisa de mar. De lar.

Me lembro de sair do escritório, dar uma ligadinha pra Camila e juntar a primaiada. Tomar uma cerveja, duas ... talvez, três. Me empelotar só por sentir o cheiro do camarão da barraquinha do seu Zé. Ver o pessoal morrendo de rir enquanto eu procuro, estarrecida, o antialérgico que ficou no banheiro. No banheiro?!

Toca o telefone e eu repito sempre as mesmas palavras, aqui, no escritório. Serviços, valores, materiais, endereço, “obrigada pela preferência”. O bacana é que a maioria dos ditos “interessados” não vem. Quer saber ... eu acho até que ... tudo bem. Melhor que liguem e falem, falem, falem. Perguntem sobre tudo. Falem sobre a concorrência também. Me encanta! Quem sabe, numa hora dessas, não acontece um “Gostei da sua voz! Podemos nos ver?”. Devaneio puro. É que eu curto, muito, tudo aquilo que me distrai. Eu, provavelmente, responderia “Sim, fico lisonjeada!”. E seriam vencidas mais umas horas, de mais um dia, dessas semanas que não passam.

Devaneio virou meu hábito. E eu tenho asco de tudo que me permita pensar longe. Na Princesinha do mar. Nem todos me divertiam como a Camila. Nem sempre eram os primos que me acompanhavam. Só eu sei dos incidentes que vinham depois da praia, do camarão, do banheiro. Um sms recebido, transformando todo o meu dia numa zona, por completo. Pra lá, eu não volto. E aqui ... Aqui o que eu mais tenho é tempo pra pensar em Copacabana.

domingo, 25 de novembro de 2012

NÃO TÃO SÓ.


Eu gosto de estar acompanhada; seja por um ou dois amigos, por casais ou por um grupo maior de pessoas. Gosto bastante da presença dessa gente dançante, gente de olhares dispersos e despretensiosos. A mesma gente do papo-furado. Desafogo a vontade do álcool – que não sei de onde veio (nem para onde vai) -, do churrasco, de perder a linha da dieta. Deixo na mesinha de bar o infortúnio da segunda-feira regado ao estresse do dia-após-dia. E se tudo não vira samba, no mínimo, termina bem.

Termina bem, mas não termina lá. Em casa, descarrego o resto. Lavo o cabelo cheirando à fumaça, tiro a maquiagem, amiga e - acredite! - confidente. Me faço um carinho. Converso sozinha com o espelho. Sorrio, de cara lavada.

Segue, na noite seguinte, a constância dos telefonemas. “Começa às 23h! Confirmado?” e eu já nem sei. Só descubro quando chego lá. Mais gente tagarela, mais cerveja amarga, um papo mais furado e aquelas risadas de sempre. Um pouquinho mais de silêncio, porque ninguém aqui assiste jornal e falar mal dos outros já tá ficando feio, mesmo pra quem bebe. Acho que tô querendo um banho, talvez um filme. Me despeço mais cedo e me encontro um pouquinho comigo no retrovisor do carro. Engraçado.

O telefone toca, dois dias depois. Penso nos constantes convites de meia-noite em diante e, por fim, a ligação cessa. Me pergunto se não tô ficando velha. E, logo, se tem alguma coisa de errado nisso. É que tenho muito medo, medo mesmo, de ficar só. No jantar de hoje, sou eu, comigo mesma. Comida chinesa (não conheço quem goste!). Escovo os dentes; me olho no espelho com a espuma ainda na boca: vai ver que, enquanto eu estiver aqui, eu não fico sozinha, não. 

Começo a achar que, na verdade, o que eu não posso mesmo é me perder de vista.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O PRIMEIRO, QUIÇÁ, DE MUITOS.

Essa é uma tentativa a mais. De quê? De dividir e arquivar breves rascunhos de sensações aleatórias. Essa é a minha intenção, afinal, sempre há o que compartilhar através das palavras. Por mais diferentes que sejamos uns dos outros, torço para que essas palavras, ainda que poucas e breves, possam mover alguma coisa aí, dentro de você!