quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O QUE DURA.


A vida da gente está inteiramente apta a ser cenário de uma tragédia a qualquer dia, de qualquer mês e ano. Tragédia das boas; boas mesmo. Assim, literalmente. Uma tragédia que te impulsione a fazer exatamente aquilo que sempre sentiu pulsar o pulso e vazar pelos poros. Ir caminhar em outras ruas; deixar para trás um emprego que não te alimenta o coração; largar a barra da saia da mãe - e da bermuda do pai - para ser o único responsável pela suas lamúrias; conhecer gente de cabeça feita, desfeita, refeita; mudar os trajes, os tiques, os trejeitos.

Uma tragédia pode te dar um suporte para jogar tudo para o alto, inclusive você mesmo. Para o alto. Até as alturas. Assim, literalmente. Engraçado é pensar naquilo que já passou, há tempos - e te rasgou todo por dentro - como sendo o seu maior acerto de toda vida, até aqui. 

Uma hora ou outra pode vir a vida, meu amigo, para te dar um alô. Quando não, um tapa estalado na cara, só pra te dizer: vá, faça, seja. E aí, confuso, porém, corajoso, você vai, faz e, enfim, é. Mesmo sendo porque doía. Doía, porque não dói para sempre. Não dói para sempre

Em contrapartida, o que você enxerga no espelho da alma depois que decidiu fazer exatamente aquilo que sempre sentiu pulsar o pulso e vazar pelos poros, dura. E melhor, dura para sempre. Dura para sempre.