segunda-feira, 22 de setembro de 2014

AMANHECI.


Faz manha, de manhã, o meu menino. 

A tosse rouca, 
Única, 
Como um despertador, 
Surge me dizendo algo como 
"Acorda, amor!". 

De corpo comprido, se retorce, 

Até caber todo em mim.

Larga o próprio travesseiro 

Pra abusar do meu, 
E deixa nele um cheiro 
Que é certeiro 
Em me pintar feliz.

Tão bonito, o meu menino. 


Traz nos olhos semiabertos 

Um pouco de sol, 
Que antes mesmo de abrir as cortinas, 
Me amorna o corpo. 

Corpo que logo toca, de mansinho.

Mocinho.
Moreno do cabelo enroladinho.

O que o meu menino talvez não saiba 

É que me faz bonita amanhecer nele.