sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

DESACELERAR.


Muita gente passa a maioria dos dias do ano esperando pelos feriados prolongados ou férias. E eu não estou aqui para dizer que isso é errado. Na verdade, eu queria mesmo era falar da nossa relação com o tempo.

Nossa geração está imersa num sistema de agilidade. Agilidade de informação, agilidade em planejamento, agilidade em execução de uma tarefa. A pressa não mais parece ser inimiga da perfeição e eu não faço ideia de quando isso aconteceu. Essa nossa espera ansiosa pelo período de descanso me parece ser resultado de toda essa correria.

Tentamos freneticamente acompanhar o fluxo do trabalho, das redes sociais, da comunicação. E eu me questiono se nesse “corre-corre” diário nós nos entregamos ao piloto automático e deixamos de notar e absorver a grandeza das pequenas coisas. E mais, se toda essa pressa vai gerar algo realmente saudável e consistente para o futuro.

Estivemos comentando, o Bruno e eu, sobre como o tempo passa diferente para quem, por exemplo, vive na zona rural. Um fazendeiro pode levar dias e mais dias apenas para encaminhar o seu gado para outro pedaço de terra. Isso não significa que o trabalho desse homem seja menos produtivo ou valioso que o de outros.

Não me refiro a postergar. Não quero dizer que não devemos render e atender ao cronograma que nosso ambiente de trabalho exige. O que quero dizer é que é preciso desacelerar. Parar para descansar. Conversar com um amigo. Levar o cachorro para passear. Assistir a um filme no cinema ou ir ao estádio.

Quantas vezes você olhou para o céu ou abraçou alguém hoje? Houve tempo? Suspeito que se você - e eu - não tivermos tempo para as pequenas-grandes coisas, há algo errado. Antes de continuar correndo, não esqueça de perguntar-se: para onde?

Imagem: irreversivel.com